queria chorar, queria passar a noite acordado e virar a semana toda assim, mas sem que nada acontecesse, para que ficasse sozinho com minhas mágoas. faz tempo que não consigo sofrer. enquanto o tic-tac do relógio imaginário pede o documento dos meus devaneios apátridas, guardo nos cafundós do espírito o desejo de tornar-me um refugiado da razão... posso parar?
sinto que meu tempo livre não é livre desde as tardes em que queimava toda a energia jogando bola no quintal. as folgas são meros intervalos entre uma obrigação e outra, sem que haja descanso real. no tempo livre, somos realmente livres? por que a culpa nos consome tanto ao meramente nos dedicarmos a algo por puro querer?